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    Escritora, professora, tradutora, linguista e teóloga, há vinte anos envolvida no trabalho voluntário de produção de material e ensino tanto no Brasil quanto em Moçambique. Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Associada à ABIB – Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica e participante da AHDig – Associação das Humanidades Digitais. Promove debates em blogs e reuniões informais além de ministrar aulas particulares de português, hebraico e inglês, cursos livres nas áreas de linguística, tradução, teologia e missiologia, e efetuar correções de textos em português. Mantém-se escrevendo, tanto em verso quanto em prosa, ligada ao teatro e à pintura, com o desejo de prosseguir em suas pesquisas (doutorado e aulas nas áreas de educação, teologia e letras) e trabalhos interculturais. Produção disponível em https://independent.academia.edu/AngelaNatel Banco do Brasil Agência 2823-1 C/C: 40006-8 Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7903250329441047 Editoria Online do Jornal: Direitos Humanos em Foco https://paper.li/f-1406058022 Outras redes: Twitter: @AngelNN http://www.pinterest.com/angelanatel/ http://www.skoob.com.br/usuario/902792 https://www.youtube.com/user/angelanatel http://vimeo.com/angelanatel007 http://www.linkedin.com/pub/angela-natel/65/296/58 http://www.babelcube.com/user/angela-natel Endereço para correspondência: Núcleo Rural Boa Esperança 2, Chácara 4 - Granja do Torto - Brasília - DF cep 70636-901 Banco do Brasil Agência 2823-1 C/C: 40006-8

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Raabe, uma mulher fiel

Raabe
 
Possivelmente foi através de fontes extrabíblicas que Mateus encontrou os dados para afirmar que Raabe foi a mãe de Boaz. Segundo CHAMPLIN, a identificação da Raabe da genealogia com a personagem do Antigo Testamento é bastante certa porque:
• O artigo acompanha o nome: ‘a Raabe’, e uma das funções do artigo grego é fazer a identificação;
• É provável que se não fosse aquela Raabe haveria outra explicação (CHAMPLIN, 1987, pp..268-269).
Raabe é triplamente marginalizada em sua história: uma prostituta em sua cidade, uma estrangeira para Israel e uma mulher (NOWELL, 2008, p.6).
Em sua primeira aparição, Raabe é a figura central na narrativa. Ela direciona a ação e salva os espias. Quem conhecemos pelo nome na narrativa é Raabe, não os espias comissionados por Josué (Js.2). Em sua segunda e última aparição, ela também não age passivamente. Aparentemente marginalizada, mesmo entre seu próprio povo (ao ponto dela se comprometer a traí-lo sem pestanejar), vivia nos limites da cidade, com reputação comprometida.
Etimologicamente, seu nome está ligado ao senso de inspiração ou expansão, e isso pode ter conotações negativas. Sem mais implicações, o texto indica que prostitutas aparentemente desfrutavam de certo grau de autonomia no sentido de fazer acordos (CARTER, 2002, p.117). Raabe era definida por sua profissão: ela trabalhava por dinheiro, era uma prostituta comum (em hebraico: zoonah, em grego: porne). Prostitutas eram socialmente excluídas, rejeitadas e comentadas, leprosas morais, toleradas, mas de forma alguma honradas (HIGGS, 2002, p.207).
Essa mulher cananéia fez um acordo para salvar a vida, contudo ela agiu assim baseada em convicções teológicas. Ela afirmou que as vitórias anteriores de Israel sobre os egípcios e os amorreus ficaram conhecidas e que esse acontecimento causou pavor em Jericó (Js.2.8-10). Vinda da boca de uma não-israelita, essa fala é ainda mais marcante. As notícias que haviam chegado até os cananeus sugeriam que Yahweh tinha poder para controlar o tempo, as águas, as doenças, e o mundo animal. A confissão de fé que ela produziu tem um tom deuteronomístico* – cf.Js.2.9; Dt.11.25, Js.2.11; Dt.4.39 (HOUSE, 2005, pp.256-257).
O acordo que os espias fizeram com ela viola a orientação em Deuteronômio 20.10-20 sobre a Guerra Santa. A trapaça de Raabe ocorre no intuito de preservar o povo de Deus. Interessante é notar que o relatório dos espias dado a Josué foi baseado inteiramente nas palavras de Raabe. Não há relatos de que os espias tenham ido a qualquer outro lugar em Jericó além da casa de Raabe, nem sugestão de que eles tenham falado com qualquer outra pessoa além dela. Raabe disse tudo o que precisava ser dito (Js.2.9-11) e os espias a tomaram exatamente pelo que ela disse (CARTER, 2002, p.119).
A batalha de Jericó foi vencida pela traição de Raabe para com seus concidadãos de dentro da cidade. Quanto à sua profissão de prostituta, há versões muito divergentes: alguns comentaristas se posicionam firmemente de que os espias não tiveram relações sexuais com ela. Josefo faz dela simplesmente uma estalajadeira, ainda que o verbo tenha duplo sentido – a frase “os que vieram a mim” também é sugestiva – Js.2.4. (COOGAN, 2007, p.259).
Há muitas interpretações levantadas a respeito do significado do fio escarlate colocado na janela da casa de Raabe a fim de identificá-la quando Israel viesse tomar a cidade. Uma das interpretações possíveis é a indicação clara de um acordo entre duas partes (KARSSEN, 1974, p. 75). Interessante é notar que os muros de Jericó caíram (Hb.11.30,31), mas a casa de Raabe, construída sobre os muros, não. Não deixa de ser um exemplo de fé.
Quando Raabe é trazida para o acampamento de Israel com sua família, precisa instalar-se na parte de fora do acampamento, pois ele é santo e a presença da família de Raabe, composta de estrangeiros, o tornaria impuro (Js. 6.23; Dt.23.15).
A história de Raabe está menos relacionada com o ‘como’ as coisas acontecem, e mais em ‘por que’ elas acontecem. Sua aparição na narrativa de Mateus presta testemunho à sua tenacidade em meio à tradição. Ela também é mencionada em uma lista de heróis bíblicos que demonstraram sua fé por suas obras (Hb.11). Josué nunca foi mencionado como um dos que trouxeram Israel à Terra Prometida, mas Raabe é louvada por sua hospitalidade aos espias. É a única mulher citada pelo nome e elogiada por sua fé como parte da grande ‘nuvem de testemunhas’ mencionada em Hebreus. Ela se tornou um exemplo assim como Moisés (Hb.11.25). Na carta de Tiago, Raabe é citada como exemplo por sua genuína hospitalidade como deveria ser praticada por todos os crentes (Tg.2.25). De forma intrigante, porém, o epíteto ‘prostituta’ persiste com aparentemente nenhuma compulsão da parte dos autores nem de Hebreus nem de Tiago para justificar isso ou mencionar seu arrependimento (CARTER, 2002, p.772).
 
Notas: *Termo referente ao pacto de Deus com o povo de Israel que estava prestes a ocupar a terra que lhe havia sido prometida. Este pacto baseava-se unicamente no amor e na misericórdia de Deus, tendo como retorno, em gratidão, a obediência do povo (cf. Deuteronômio).
 
Fonte:
Natel, Angela. As mulheres da genealogia de Jesus em Mateus, e as Implicações teológicas na mensagem do reino de Deus / Angela Natel. ─ Curitiba, 2012, pp.20-21. – Monografia (Trabalho de conclusão de curso de Bacharel em Teologia da Faculdade Fidelis)
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