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    angelanatel

    angelanatel

    Escritora, professora, tradutora, linguista e teóloga, há vinte anos envolvida no trabalho voluntário de produção de material e ensino tanto no Brasil quanto em Moçambique. Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Associada à ABIB – Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica e participante da AHDig – Associação das Humanidades Digitais. Promove debates em blogs e reuniões informais além de ministrar aulas particulares de português, hebraico e inglês, cursos livres nas áreas de linguística, tradução, teologia e missiologia, e efetuar correções de textos em português. Mantém-se escrevendo, tanto em verso quanto em prosa, ligada ao teatro e à pintura, com o desejo de prosseguir em suas pesquisas (doutorado e aulas nas áreas de educação, teologia e letras) e trabalhos interculturais. Produção disponível em https://independent.academia.edu/AngelaNatel Banco do Brasil Agência 2823-1 C/C: 40006-8 Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7903250329441047 Editoria Online do Jornal: Direitos Humanos em Foco https://paper.li/f-1406058022 Outras redes: Twitter: @AngelNN http://www.pinterest.com/angelanatel/ http://www.skoob.com.br/usuario/902792 https://www.youtube.com/user/angelanatel http://vimeo.com/angelanatel007 http://www.linkedin.com/pub/angela-natel/65/296/58 http://www.babelcube.com/user/angela-natel Endereço para correspondência: Núcleo Rural Boa Esperança 2, Chácara 4 - Granja do Torto - Brasília - DF cep 70636-901 Banco do Brasil Agência 2823-1 C/C: 40006-8

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Caiam os ídolos

Minha oração hoje

E meu desejo mais profundo,

Esperança que me resta

Nesta vida, neste mundo

É que todos os meus ídolos

Se descubram nus diante de mim.

Que as ilusões que tenho alimentado

E as opiniões que elaboro sobre falsas premissas

Sejam, de uma vez por todas, expostas,

Deflagradas, derrubadas ao chão.

 

Que em momento algum eu me firme

Sobre meu próprio entendimento das coisas

Que minhas certezas e tudo aquilo que utilizo para manter-me em pé

Mostrem do que são feitos realmente

E que eu possa libertar-me do altar sobre o qual me puseram

E sobre o qual mantive-me boa parte de minha vida.

 

Tantos olhares de expectativa

Tantas palavras em tom altivo

Tantas promessas quebradas

Por causa de uma palavra não esperada

Uma decepção.

 

Nessa vida não vale a pena condicionar nossas ações a nada.

Porque as pessoas são vivas e, por causa disso, mudam.

Somos transformados a cada passo dado, a cada experiência vivida.

 

Por isso desejo, do fundo do meu coração,

Que meus ídolos caiam

Que sejam expostos, revelados, trazidos à luz,

Não posso me permitir acreditar que sou infalível,

Nem me firmar na hipótese de nunca me enganar.

 

Assim me protejo da estupidez do orgulho

E de achar que em mim mesma há algo de bom.

Porque só Deus é bom, fundamentalmente bom.

Dele procedem as fontes que alimentam meu ser.

Nele me escondo quando em dúvida, não preciso saber.

 

E descanso, quando tudo cai ao meu redor,

Quando faltam amigos, promessas se quebram,

Quando alguns desistem ou esquecem,

E o que me sobre são contas a pagar,

Um desejo sobre-humano

de ser envolvida num abraço demorado

medo de errar de novo

e cansaço.

 

Por isso, que os ídolos caiam,

Que minhas certezas não sobrevivam.

Assim poderei caminhar calmamente,

Olhos no chão,

Ao lado dos que sofrem,

Entende-los, amá-los,

Perder tudo,

Por amor,

E desgastar-me em dor.

Perder-me para me encontrar,

 

Angela Natel – 20/04/2018

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Prumo

Se eu ando na linha

Fico perdida

Permaneço na minha

Não é minha vida.

 

Prá dentro da cerca

De quem me aprova

Ninguém me agüenta

Quando faço minha trova.

 

Se eu ando no prumo

Me parabenizam

Vivo sem rumo

Entre os que agonizam.

 

Medindo com a régua

O comportamento

Não me dão trégua

Nesse momento.

 

Sou medida

Esticada

Comprimida

Enlargada.

 

Sou fechada

Entre as paredes

Amarrada

Pelas redes.

 

A vida é falsa

Na medida

É controlada

Regra cumprida.

 

Duro julgamento,

Morte à minha mercê,

Vida sem contentamento

Quando o meu prumo é você.

 

Angela Natel – 28/04/10.

Eu também

‘A escritora Anne Lamott diz que o sermão mais poderoso do mundo tem duas palavras: “Eu também”.
 
Eu também
Quando você está lutando,
Quando está machucado,
Ferido, mancando, duvidando,
Questionando, mal se aguentando,
A poucos instantes de mais uma recaída,
E alguém consegue identificar-se com você –
Alguém conhece as tentações que batem à sua porta,
Já sentiu a dor que você está sentindo,
É capaz de olhar nos seus olhos e dizer “Eu também”,
E, se essa pessoa falar sério –
Isso pode salvar você.
Quando não o julgam
Nem lhe passam um sermão,
Quando não o medem da cabeça aos pés,
Mas demonstram entender,
Saber como é,
E lhe dizem que você não está sozinho,
Isso é “Eu também”.
Paulo não diz “para com os fortes tornei-me forte”.
Ele só diz “para com os fracos tornei-me fraco”.
Compreende que o poder da eucaristia vem da fraqueza, não da força, que ela contém.’
 
(Retirado do livro “Jesus quer salvar os cristãos” de Rob Bell e Don Golden)
 
Então eu, Angela Natel, escrevi…
 
 
EU TAMBÉM
 
Você está chorando,
Fraco, clamando
Mas eu também choro
E clamo
Eu também.
 
Sentindo-se abatido
Humilhado, oprimido
Mas eu também me abato
Me humilho
Eu também.
 
Sem ver nenhum caminho
Preso, em seu próprio ninho
Também não vejo saída
Estou presa
Eu também.
 
Desviado, calado
Marginalizado
Me desvio e me calo
Me marginalizo
Eu também.
 
Culpado, amarrado
Sentindo-se enganado
Me culpam e amarram
Sou enganada
Eu também.
 
Roubado, traído
Prostrado, caído
Me roubam e traem
Me prostro e caio
Eu também.
 
Confuso, carente
Necessitando de alguém,
Me perco, preciso
Desesperadamente
Eu também.
 
 
Angela Natel – 09/04/10

Sentido

 
Eu me escondo e fujo, um grito n’alma, profundo
Sem saber de onde saiu.
Eu percebo, e me despejo num mar de lágrimas me inundo
que no precipício do mundo caiu.
 
Machuco, respiro, corro em direção oposta
De onde me vem o amor.
Praguejo, me humilho, sigo fraquezas à mostra
Sem medo de mostrar dor.
 
Confusa, sentida, busco sondar nesta vida
Onde encontrar a paz.
Me viro, reajo, tropeço nas expectativas
De uma serpente sagaz.
 
Medo de errar novamente, sentir o mesmo sabor
De um abandono atroz.
Pesadelos repetidos, cenas em viva cor
De um caminho veloz.
 
Quero morrer, quero viver, intensamente cada momento
Pensar e decidir nessa lida.
quero lutar, amar e saborear cada sentimento
e aproveitar as oportunidades da vida.
 
Uma confusão se instalou em minha mente
Tenho bom gosto para o perigo
Há muito o que acontecer pela frente
Mas lembro que, nesta vida, nada faz sentido.
 
Angela Natel – 08/03/10

Não tenha vergonha de mim

Não tenha vergonha de mim
Me abrace e me beije
Fora do meu camarim.
 
Não, não tenha vergonha de mim
Se aproxime e me deseje
E me deixe toda assim.
 
Não tenha vergonha de mim
De meu riso, meus trejeitos
Pois foi prá isso que eu vim.
 
Não, não tenha vergonha de mim
Me envolva em seus braços
E em seu sonho carmesim.
 
Não tenha vergonha de mim
Seja sempre meu parceiro
Neste lençol de cetim.
 
Não tenha vergonha de mim
De minhas palavras e caretas
Tal qual espadachim.
 
Não tenha vergonha de mim
Me alimente, me proteja
E te direi sempre sim.
 
Não tenha vergonha de mim
Não me deixe sozinha
Dancemos neste festim.
 
Não tenha vergonha de mim
Permita que outros nos vejam
Caminhando pelo jardim.
 
Por favor
Não tenha vergonha de mim
Não solte a minha mão
Quando encontrar um afim.
 
Não, não tenha vergonha de mim
Prenda-se ao meu cheiro:
Ao meu perfume de jasmim.
 
Não tenha vergonha de mim
Pois sou louca, mas te amo
Quero-te, apenas, enfim.
 
Angela Natel – 11/01/10.

Somos rasos

Nosso amor é raso

Nosso interesse é raso

Assim como nosso estudo e compreensão o são

Rasos

Insuficientes

Impotentes.

 

Rasa é nossa dedicação ao outro

Bem como nossa maneira de nos preocupar

Em ajudar, em colaborar.

Rasos somos em nossas relações

Em nosso amor, que é condicional

À resposta alheia, ao que desejamos ganhar com isso.

 

Somos rasos, rasos demais,

Em nosso julgamento das situações

Em nossas opiniões.

Rasos em nossas conversas

Por medo de intimidade

E vulnerabilidade.

 

Somos rasos nas respostas, nas perguntas

Nos cumprimentos.

Prá que se aprofundar?

Dá muito trabalho

– ai, que preguiça!

 

Somos extremamente rasos

Em nossas teologia,

Em nossa imitação de Cristo

Rasos naquilo que nos propomos fazer

– fazemos o mínimo, o mediano, o suficiente.

Nada mais, nada menos.

Não fazemos mais do que nossa obrigação.

 

Por isso somos tão descartáveis,

Irrelevantes,

Nossa mensagem não vale tanto assim,

Porque a vivemos de forma rasa,

Até o limite de nossa segurança,

De nosso conforto e acomodação.

 

Somos rasos no perdão

E na entrega.

Sem riscos vivemos na superficialidade das relações,

Dos comentários

Apenas nos defendendo

E defendendo o que moralmente nos acalenta.

 

Mas no que consideramos provocação

Levamos de forma rasa

Rotulando e determinando limites

Para nosso amor, nossa mão estendida.

 

Apesar de tudo isso,

Deus nunca foi raso,

Entregou-se por inteiro,

Encarnou, sofreu, sangrou e morreu.

Foi ao fundo do abismo,

E hoje perscruta as profundezas de nosso ser raso.

 

Não há nada que possamos esconder de Deus

E, por debaixo das máscaras de nossa hipocrisia rasa

Ele vê e revela a podridão que há lá no fundo.

 

Somos rasos

Porque somos podres por dentro.

É dessa podridão de incertezas, desinteresse pelo outro,

Um desamor fedido que brota de nosso interior,

A raiva contida, o ódio descabido,

Essa revolta e o desejo por estarmos sempre certos

Acima dos outros, acima de suas necessidades,

Agarrados ao osso do poder e do controle

De nossas vidas e organizações

E de todo esse lixo que se esconde em nós

Que precisamos nos desfazer.

 

Para sairmos, de vez, dessa superficialidade crônica da vida

É preciso morrer, abrir mão de nós mesmos,

renunciar o direito de estarmos sempre certos

nos vulnerabilizar diante do outro

a fim de amá-lo profundamente,

sem condições, sem restrições,

sem exigir reparação,

nem direitos,

sem nos assegurar com testemunhas a nosso favor.

 

É preciso olhar quem nos provoca tanto ódio

Por sua conduta, palavras, opiniões

E servir, entregando-nos até a morte.

 

Para sermos libertos de tão maldita superficialidade

É preciso calar em vez de sermos rasos.

É preciso buscar a profundidade da compreensão,

Do amor, nas relações, nas organizações.

É preciso sairmos um pouco dos esquemas,

Das facilidades, dos horários marcados e do mecanicismo.

É preciso sorrir e chorar com o outro

Em nossas debilidades.

 

Porque ser raso é fácil nesse mundo,

Generalizar, rotular, esquematizar

Faz parte do abismo imundo no qual nos tornamos.

 

Por isso não busquemos soluções rasas

para problemas de quem não desejamos nos aproximar muito,

nos envolver demais.

Nossas soluções rasas dificilmente são resultado de nosso interesse em ouvir

E compreender a situação calçando os sapatos de quem a está vivendo.

 

Sejamos profundos,

Amemos profundamente,

Incondicionalmente,

Com dedicação,

Sem medo de exagero,

Nos entreguemos

Como nosso Senhor se entregou.

 

Angela Natel – 14/04/2018

Rótulos

Vivo num mundo
Onde tudo é errado
Não pode, não toque, não prove
Nada que faço é normal.
 
Até prá quem acha que é certo
Fazer o que quer e onde quer
Me olham torto, me arrumam
Me corrigem no que eu disser.
 
Criancice, coisa de velho,
De missionária, mulher,
Ou de seminarista,
Onde todo mundo mete a colher.
 
Rótulo, nome,
Tudo tem a sua forma
(ou fôrma)
Mas nada do que faço é normal.
 
Não me encaixo,
Me desdobro
Mas não colo
Em lugar nenhum.
 
Penso demais, me sobressaio
Roupa que não combina
Não olho prá trás
A despeito de quem opina.
 
Silêncio, ausência,
Faço arte, escrevo,
Lágrimas, carência,
Terror, desespero.
 
Fugindo, sem rumo
Buscando viver,
Batendo no muro
Esperando morrer.
 
Angela Natel – 13/11/09
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