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    angelanatel

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    Escritora, professora, tradutora, linguista e teóloga, há vinte anos envolvida no trabalho voluntário de produção de material e ensino tanto no Brasil quanto em Moçambique. Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Associada à ABIB – Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica e participante da AHDig – Associação das Humanidades Digitais. Promove debates em blogs e reuniões informais além de ministrar aulas particulares de português, hebraico e inglês, cursos livres nas áreas de linguística, tradução, teologia e missiologia, e efetuar correções de textos em português. Mantém-se escrevendo, tanto em verso quanto em prosa, ligada ao teatro e à pintura, com o desejo de prosseguir em suas pesquisas (doutorado e aulas nas áreas de educação, teologia e letras) e trabalhos interculturais. Produção disponível em https://independent.academia.edu/AngelaNatel Banco do Brasil Agência 2823-1 C/C: 40006-8 Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7903250329441047 Editoria Online do Jornal: Direitos Humanos em Foco https://paper.li/f-1406058022 Outras redes: Twitter: @AngelNN http://www.pinterest.com/angelanatel/ http://www.skoob.com.br/usuario/902792 https://www.youtube.com/user/angelanatel http://vimeo.com/angelanatel007 http://www.linkedin.com/pub/angela-natel/65/296/58 http://www.babelcube.com/user/angela-natel Endereço para correspondência: Núcleo Rural Boa Esperança 2, Chácara 4 - Granja do Torto - Brasília - DF cep 70636-901 Banco do Brasil Agência 2823-1 C/C: 40006-8

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Sociedade Frankenstein, por Fernando Horta

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Embora todos conheçam a história de Frankenstein, poucos atentam para o verdadeiro sentido e profundidade da crítica de Mary Shelley. A escritora inglesa, do início do século XIX, produziu uma das mais profundas e atuais análises da nossa sociedade. O “monstro” de Frankenstein combina uma força física descomunal, com uma falta de localização histórica e com o desconhecimento de limites éticos. Esta mistura o leva ao campo da selvageria. Note que o monstro de Mary Shelley é capaz de fazer breves raciocínios. Tem em si sentimentos como saudade, desejo, raiva e até amor. Mas o monstro, privado de sua história, sem um sentido de continuidade entre o passado, o presente e o que poderia ser seu futuro, não consegue compreender o que é efetivamente o humano. Não consegue ser humano. Não consegue ser.

Dois fatos no mês que passou deveriam ter levado a toda a humanidade a um processo de reflexão sobre a profunda transformação em curso. Em primeiro lugar, a gigante Google criou um algoritmo chamado “alpha-zero”[1], que em quatro horas aprendeu sozinho a jogar xadrez. Alpha-zero venceu os programas de computador criados e aperfeiçoados pelo homem nos últimos 20 anos. Não apenas venceu, mas ganhou por 28 a zero. Não perdeu nenhuma partida. Veja que não estamos falando apenas da capacidade de cálculo da máquina, pois os programas vencidos estavam também em computadores. Estamos falando de um algoritmo que literalmente aprendeu a jogar xadrez sozinho e bateu TODA a criação humana, seja da experiência acumulada do jogo e dos jogadores nos últimos 4000 anos, seja do crescimento e aperfeiçoamento de programas criados pelos próprios homens.

E fez isto em apenas quatro horas.

No mesmo momento, saiu o relatório de Philp Alston[2] para a ONU a respeito da pobreza nos EUA. O país mais rico do mundo e a única superpotência mundial tem o maior índice de mortalidade infantil entre todo o mundo desenvolvido, tem a menor expectativa de vida, e está na posição 35 de 37 países com respeito a pobreza e desigualdade. Na sociedade que supostamente atingiu o pico do desenvolvimento material no nosso tempo, um quarto dos seus jovens (25%) está vivendo na pobreza. Esta sociedade tem menos médicos e doutores por pessoas (do que os países desenvolvidos) e está em 36 lugar no mundo em relação ao acesso à água potável e saneamento básico de sua população.

Por qualquer nível humano de comparação, os EUA estão muito mais próximos das sociedades do século XIX do que de qualquer ideal de humanidade no século XXI. E estamos falando da sociedade mais rica e materialmente desenvolvida do planeta. Ainda assim, não satisfeitos em retornarem aos níveis de desigualdade do início do século XX, os norte-americanos estão para aprovar um corte de impostos que beneficia apenas o 1% mais rico da população deles. Todos os estudos mostram o desastre social que vai acontecer e diversos políticos, economistas, professores e artistas têm vindo à público chamar a atenção para o fato de que a imensa maioria da população será fortemente prejudicada. Assim como no Brasil, parece estar acontecendo um processo completo de torpor intelectual. Não se trata apenas do anti-intelectualismo quase medieval, se trata da incapacidade dos cidadãos atuais de se situarem no tempo e no espaço e de fazerem escolhas racionais para si.

Mary Shelley explicou isto. O desenvolvimento material do monstro de Frankenstein era imensamente superior a qualquer outro ser humano. O monstro era mais forte, praticamente imortal e inclusive capaz de raciocínios simples. A sociedade capitalista, onde o consumo gera demanda para o desenvolvimento econômico em níveis nunca antes vistos pelo ser humano, faz uma disparada de nossas capacidades materiais e, ao mesmo tempo, inibe o desenvolvimento humano. Somos exatamente o monstro de Frankenstein. Estamos privados de raciocínios mais aprofundados e, desde a queda do muro de Berlim, estamos sofrendo um processo de desconstrução do nosso passado. Aliás, de qualquer passado. O mundo do “Carpe Diem” é o mesmo mundo do “a terra é plana”, do “você tem que morrer por pensar isto” e do “eu faço porque o Pastor mandou”.

A Escola de Frankfurt explicou o surgimento do fascismo nestas bases. A sociedade de consumo desorientou o homem alemão, ofertando materialmente uma gama de capacidades sem que ele tivesse condições psicológicas, sociológicas ou mesmo históricas para compreender seu lugar no tempo, as relações com outros seres humanos e mesmo aceitar a sua finitude. Este homem desorientado procura um sentido para sua existência, procura alguém a seguir e age, a partir daí, como quem descobriu a única verdade do mundo. Todo o resto, todo aquele que difere é uma ameaça ao mundo como este desorientado entende. E aí a ignorância, o medo e a incapacidade de se compreender vira violência. É exatamente Mary Shelley.

Estamos no limite da criação de inteligências artificiais que alterarão – sem nenhuma capacidade nossa de previsão – toda a humanidade. Ao mesmo tempo, estamos cobrindo obras de arte nos museus por intolerância. Criamos mais informação em um dia, hoje no mundo, do que toda a informação criada pelos nossos ancestrais nos últimos milhões de anos. E ainda assim, pessoas gritam como se estivessem possuídas por um demônio em forma de galinha ou de macaco e um pastor cobra dinheiro para “salvar” esta “pobre alma” que se joga ao solo, imita o macaco, baba e revira os olhos em “cultos” nas nossas cidades.

A maior desigualdade humana não é, pois, entre ricos e pobres. Entre nações com muitas capacidades materiais e as desprovidas delas. A maior desigualdade humana é entre o desenvolvimento de suas forças produtivas e seu nanismo moral, histórico, político e social. Não deveria ser surpresa que pessoas que desconhecem sua história e seu papel na sociedade retomem ideias e medos do início do século XX. Não chega a surpreender que estejamos caminhando, no mundo todo, de volta ao fascismo. O monstro de Frankenstein também voltava para procurar o seu criador. E neste processo deixava um rastro de violência.

A nossa geração está vivendo a desorientação e violência da mudança. Mas se você tem filhos e netos, deveria estar preocupado por eles. A geração deles viverá a mais completa transformação humana de que se tem notícia desde o surgimento do Estado. E eu não sei se eles estão preparados para o mundo que surge. E não sei exatamente porque nossa educação foca naquilo que se tornará totalmente obsoleto em alguns anos, e deixa de lado tudo o que poderia dar ao monstro um sentido para sua existência. Se o mundo será das máquinas ou se será dos obtusos e violentos, eu não sei. Se eles viverão num universo ao estilo de Matrix ou num mundo como mostrado em Mad Max, me parece insondável. Seja como for, estamos abrindo mão, como espécie, daquilo que nos fez humanos e claramente não estamos preparando as gerações futuras para os desafios que elas enfrentarão.

O futuro me assusta muito.

Fernando Horta
Blog de Fernando Horta:

 

Fonte: https://jornalggn.com.br/blog/fernando-horta/sociedade-frankenstein

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Muito obrigada, feliz Natal e um abençoado 2018!

Feliz Natal!

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Desafio Aceito!!!😚🙋‍♀️

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“Eu falhei às vezes, falhei como filha, irmã, esposa/namorada, tia, colega, professora, amiga e até como mãe.
Nem sempre digo as coisas certas ou nos momentos certos.
Não sou a mulher mais bonita do mundo, mas sou eu… Adoro comer, tenho celulite, tenho gordurinhas localizadas e tenho cicatrizes porque tenho uma história. Tenho muitas histórias…..
Algumas pessoas me amam, outras gostam de mim, outras não me suportam.
Fiz coisas boas, fiz coisas erradas, fiz coisas que me orgulho e fiz coisas que me arrependo.
Saio sem maquiagem e às vezes nem arrumo o cabelo, mas também quando me produzo… Não pretendo ser alguém que não sou. Eu sou quem sou, vc pode me amar ou não.
Mas pode ter certeza de que se eu te amo, faço com todo o meu coração, sou intensa e verdadeira!!!❤”
Não me desculpo por ser eu! Pelo contrário…
Acolho e rio…😂😂😂
Te desafio a publicar isso e compartilhar uma imagem sua se você estiver em paz com quem você é…😉😉

 

E Deus sabe dançar?

 

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“Eu só creria num Deus que soubesse dançar…”
Friedrich Nietzsche

“…e dizem: Eis aí está um glutão, bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores…”
Jesus de Nazaré

“…veio o Filho do Homem…que comia e bebia…e vós não cantastes…”
Jesus de Nazaré

De fato em Jesus Deus dança com os homens.

Ninguém que leia o Evangelho deixará de ver Jesus em constante danças…

Começa Seu ministério interrompendo a falência de uma festa…transforma água em vinho…

Ele é recriminado porque atende a convites para festas em casas de pessoas pouco recomendáveis.

Sua misericórdia para com o drama humano é musica da Graça aos ouvidos oprimidos.

E quando Ele deseja expressar a alegria de Deus e de anjos pela chegada da consciência a algum coração, Ele prepara o cenário de uma festa.

O pai do pródigo dançava e gostava de música.

Nietzsche não viu nada.

Aliás, viu tanto “cristianismo” que não viu Deus dançando em Cristo.

Ele mesmo não percebeu o quão pré-condicionado estava.

Não conseguiu enxergar que tudo era um convite para a festa na casa do Pai.

As parábolas de Jesus estão cheias de convites para que se venha dançar.

Quando ninguém atende ao convite, ainda assim Ele não cancela a festa: enche a casa de mendigos, veste-os com trajes próprios, e ordena a liberdade.

Até João Batista, que não dançava do lado de fora, sabia que o que estava acontecendo era uma festa. Jesus era o noivo. A festa era Dele. João se alegrava.

De fato, se eu tivesse que dizer alguma coisa ao filósofo, lhe diria:

Eu é que não acredito em filósofos que não sabem dançar…e nem ver quando a festa está proposta.

O que custava ao filósofo era crer que Deus não tinha nada a ver com o mal humor do Cristianismo. Acabou que o pensador foi incapaz de ouvir as músicas e entrar na festa.

Quem tem ouvidos para ouvir as músicas da Graça, que entre na festa.

Deus está chamando você pra dançar.

É por isso é que o convite tem o nome de Boas Novas.

Caio Fábio D’araújo

14/04/04
17 dias após a morte do meu filho Lukas.

Todos os direitos reservados www.caiofabio.net

 

Fonte: https://www.facebook.com/caiofabio.vvtv/photos/a.668791726505587.1073741827.405107339540695/1655007094550707/?type=3&theater

 

X-men:  missionário/voluntário

 

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Apesar de estar envolvida no trabalho missionário/voluntário há mais de 20 anos, ainda encontro-me aprendendo a respeito de nossos limites.

E se repito o discurso sobre meus limites, é porque ainda se faz necessária tal repetição.

Ainda se ignora a humanidade do missionário/voluntário.

Ainda ele é tido por super-herói, inumano, mutante, feito única e exclusivamente para oferecer-se a si mesmo e o que tem a outros, indiscriminadamente.

E eis que este ser se torna incômodo quando pede ajuda voluntária e financeira para seu sustento, quando faz campanhas, quando pede para si.

Porque pedir ajuda e mostrar limitações descaracteriza este ser mutante, feito para servir e se desgastar. Dizer ‘não’ é algo impensável em sua realidade, por isso assusta, e até escandaliza.

E é por isso que tenho encontrado, nesses anos todos de caminhada, vários missionários/voluntários que me impedem de publicar suas fotos em um momento de alegria, descanso ou diversão, com medo de perder seu sustento, seus apoiadores, qualquer ajuda financeira.

Não, porque ao missionário/voluntário não é permitido descansar, se divertir, muito menos às custas dos outros. Seria um abuso.

Talvez seja por isso essa constante incerteza e insegurança em que me encontro atualmente na vida. Durante 11 meses no ano realizo um trabalho missionário/voluntário, sem qualquer expectativa de retorno. Porém, quando tenho a oportunidade, não escondo um momento de descanso, diversão, renovo de forças. Assim, somente aqueles que de fato compreendem todas as implicações dessa vida de missionário/voluntário é que se engajam em apoiar-me e ajudar em meu sustento. E, por isso, posso dizer: são muito poucos os que compreendem.

Até mesmo este texto, que agora escrevo, implica em risco de perda de apoiadores, perda de sustento financeiro, perda de empatia para com meu trabalho e o que tenho a oferecer. Entretanto, se o escrevo, não é pensando em mim, mas nas próximas gerações de missionários/voluntários.

E, com tristeza, ainda afirmo: nem dentro das agências missionárias há essa compreensão. Temos nossas funções, um lugar para repousar a cabeça. Mas, caso digamos ‘não’ para alguém ou alguma atividade, somos tentados a nos sentirmos culpados e até indagados a dar explicações.

Não nos é permitido o descanso, seja no campo, seja na base – isso seria impensável. Alguns, com posição de maior responsabilidade, com cargos de maior reconhecimento, até podem se dar ao luxo de tirar um mês de férias. Mas sem esse reconhecimento, uma semana sem atender às demandas da missão seria abuso.

Não, o missionário/voluntário é tratado de acordo com sua produtividade, é um ser-máquina que, quando der problema, deverá ser trocado por outro que melhor atenda às necessidades de onde serve. Deve ceder sua casa, caso não seja sua, deve ceder seu posto a alguém que atenda à demanda.

Não, não pode se dar ao luxo de postar uma foto se divertindo, não pode recusar uma atividade que o desgaste, precisa seguir o fluxo do que é considerado normalidade, e precisa sempre enviar relatórios de sua produtividade e dar explicações de suas impossibilidades.

Não, o missionário/voluntário não é humano. Deve ser esperado dele sempre o maior rendimento, exigido dele até que se manifeste em seu limite.

E este ser é descaracterizado quando se torna parte de uma instituição missionária/voluntária. Perde sua identidade individual e a ele não é permitido manifestar-se sem que esteja dentro dos padrões da referida instituição.

Não, não é uma pessoa – é um missionário/voluntário.

 

Angela Natel – 03/09/2017.

Já fui indagada algumas vezes…

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Já fui indagada algumas vezes…
Se já lecionei essa disciplina, por que tomar tempo preparando novamente as aulas para a nova turma?

Bem, relaciono essa indagação a outra, irremediavelmente:
Por que os alunos aprendem e gostam das aulas?
Porque nunca leciono a mesma aula duas vezes.
É preciso se atualizar, é preciso criar, desenvolver, crescer, melhorar.
É preciso não ter medo de arriscar, inovar, muito menos de trabalhar.
Por isso não é tempo perdido preparar as aulas da mesma disciplina sempre que uma nova turma está prestes a cursá-la.

A aventura e minha expectativa, porém, permanece sendo repetida: o que Deus preparou de novo dessa vez?
Vale a pena trabalhar e esperar para ver.
Angela Natel

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