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    Escritora, professora, linguista e teóloga, há vinte anos envolvida no trabalho voluntário de produção de material e ensino. Licenciada em Letras - Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Bacharel em Teologia pela Faculdade Fidelis, Curitiba/PR. Mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR. Doutoranda em Teologia Exegese e interpretação da Bíblia) pela PUCPR. Cursos e publicações disponíveis: https://linktr.ee/angelanatel Endereço para correspondência: Caixa Postal 21030 Curitiba - PR 81720-981 Produção disponível em https://independent.academia.edu/AngelaNatel Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7903250329441047

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É possível ressignificar o cristianismo?

“Já há um certo consenso no reconhecimento das violências historicamente produzidas pelo cristianismo e suas instituições aqui em nosso território e em grande parte do planeta.
Então como explicar sua defesa mesmo em setores dissidentes? Isso pode ocorrer através de algumas estratégias como:
– Tentar diferenciar instituições cristãs de Cristo, sendo que as primeiras em sua violência distoariam radicalmente da verdadeira mensagem de Jesus.
– Todos os discursos de ódio cristãos seriam leituras e interpretações equivocadas da real palavra de Jesus: amor, compaixão, caridade e afins.
É portanto na figura dele que grupos dissidentes buscam a ressignificação e defesa do suposto cristianismo verdadeiro. Assim, quanto mais violento o cristianismo, tanto mais defendido é, pois se atribui tais violências aos “falsos” cristãos. O que não se reconhece é que as práticas de violência não são um erro do fã clube, mas uma continuidade da própria ideologia cristã, em si mesma violenta.
Uma religião ser do amor, da caridade e do perdão não é suficiente para confirmar sua defesa. Lembremos: todas as opressões ocorrem justamente em nome do bem, do amor e as guerras em nome da paz.
Se na luta por ressignificação do cristianismo, tiramos dele o monoteísmo, o céu, o inferno, a culpa e o pecado, tiramos dele todas as suas bases ideológicas. Um jesus que não é o salvador, que não condena ninguém ao inferno precisa ser um jesus sem céu e salvação. Um jesus que não se estrutura pela noção de pecado tem seu sacrifício de pagamento da dívida anulado.
O monoteísmo cristão precisa deslegitimar a existência de outros deuses para se afirmar, e isso não é um detalhe, é toda sua base para a conversão. Um monoteísmo de múltiplos deuses não deixaria de ser monoteísta?
É possível ressignificar a monogamia dizendo que nela há a escolha livre de cultivar múltiplos vínculos?
Ou ressignificar o monossexismo dizendo que nele várias sexualidades são possíveis?
Ou que a monocultura da soja é sobre florestas?
Talvez, mas particularmente, prefiro destinar minhas energias em combater todas as monoculturas, em vez de atribuir a elas uma essência positiva.
Descatequizar para descolonizar.
Geni Núñez @genipapos

Assista a live completa “Descatequizar para descolonizar” com Geni Núñez em meu canal no Youtube – https://www.youtube.com/watch?v=mhtXVH-kO3I&t=2152s

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